quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

A história do dízimo

Desde quando surgiu e até onde vai?

Antes de qualquer coisa devemos lembrar que a palavra dízimo significa, literalmente, 10%. Desde o principio os servos de Deus lhe ofereciam as primícias do seu trabalho, e embora não saibamos quando esse valor (10%) passou a ser fixado, foi adotado em toda a bíblia.
A primeira vez que aparece a palavra dízimo é no episódio de Melquisedeque e Abrão, a partir de então a palavra dízimo foi tida como algo comum e essa quantidade (10%) ficou fixada como o quanto que deveria ser dado a Deus das suas primícias. Então o dízimo é algo que existe desde o Éden e cerca de quatrocentos e trinta anos antes da lei já tinha ganhado um valor específico (Gn 14.18-20). Devemos lembrar que, como filhos de Abraão devemos praticar as mesmas obras de fé dele (GL 3.7; Jô 8 39-40).
Jacó também deu o dízimo de todos os seus ganhos e certamente ensinou aos seus filhos o prazer de dizimar um Deus que cumprira suas promessas em sua vida (Gn 28.20-22).
Na lei o dízimo foi ratificado e incorporado, ou seja, Deus confirmou que esse princípio anterior à lei era legítimo e o aplicou ao povo de Israel. Da mesma forma que sempre odiou o adultério, mas só na lei deixou isso claro. Não devemos pensar que Deus só odiou o adultério a partir da lei, assim também os dízimos não surgiram com ela ( Dt.14,23; Dt 26.1-15; Dt 18.3-5;Dt 14.22 e 23; e Lv 27.30-33).
Durante a história de Israel o dízimo é incontestável e não se faz necessário comprová-lo.
Depois da advertência de Malaquias, parece que nos tempos de Jesus o povo aprendera a lição. Era algo tão normal que Jesus não precisou ensinar alguém a dar dízimos; corrigiu, contudo, o fato de fazerem dos dízimos um simples ritual, quando deveria ser um ato de gratidão e fé, que refletisse um caráter tingido de justiça e misericórdia ( Mt 23.23 e Lc 11.42).
Nas epístolas, o escritor aos hebreus cita o fato de Jesus ser sacerdote da mesma ordem de Melquisedeque (uma linhagem de sacerdotes eternos). Ora esse Melquisedeque recebera dízimos de Abraão, e Jesus como sacerdote da mesma ordem também têm o direito de recebê-lo para sustento de si. Bastar lembrarmos que o corpo de cristo é a igreja, e, como tal, deve ser sustentado no que concerne ao ministério como ele mesmo dissera: “digno é o trabalhador de seu salário” (Lc 10.7). Paulo ratifica isso dizendo: “Assim ordenou o Senhor que os que pregam o evangelho vivam do evangelho” (ICo 9.14).
O fato de após Jesus não se citar claramente um acontecimento que envolva a palavra dízimo não quer dizer que não existia. Da mesma forma que não se fala de sacrifícios da lei, mas ocorriam. Os cristãos judeus, é claro, davam o dízimo porque no mínimo guardavam a lei, apesar de não esperar se justificar por ela.
Os cristãos gentios seguiram que padrão? Sabemos que eles sustentavam seus obreiros (ICo.9:4-6) e tiravam ofertas para a parte social da igreja.
Entendamos o pensamento de Paulo em ICo.9:7-14: Se na lei os sacerdotes comiam do altar, então os apóstolos também deveriam fazer isso (V.14). Concluímos então: Se na lei os sacerdotes utilizavam os dízimos e ofertas par se sustentarem porque os apóstolos não poderiam fazer isso no novo testamento. Se não tivéssemos outros argumentos esse não falharia. A igreja teria o direito de escolher de qual forma sustentaria seus obreiros. E porque não utilizar uma forma existente em todos os tipos de sacerdócios anteriores (Melquisedeque e Arão). A igreja, em cristo, poderia concordar na terra que Deus concordaria no céu.
Vejamos agora que não é só por esse argumento que damos os dízimos hoje. Existe algo muito mais profundo e confortador para aqueles que honram a Deus com “as primícias de sua fazenda”.

Qual a finalidade de o dízimo ter existido?

Essa finalidade define sua subsistência! Ou seja, se os motivos que o levaram a existir não mudaram então não há razão para ele deixar de existir.
Vejamos quais são:
Reconhecimento de que a terra foi Deus quem deu (Dt.26:3-11);
Para aprender a temer ao Senhor (Dt.14:23);
Reconhecimento pelas bênçãos (Gn.28:20-22);
Reconhecimento que tudo é Dele (Ml.3:8; Sl.24:1 e Cl.1:16);
Sustentar a casa do Senhor (o ministério) junto com as ofertas (Iço.9:13-14; Nm.18:24 e Ml.3:10);
Abençoar aos pobres (Dt.26:12-15).


Ora, qual desses itens não tem mais necessidade de existir. Só deixa de existir aquilo que perde a finalidade, como os rituais levíticos que apontavam para Cristo.
Dizimar é reconhecer que tudo que ganhamos e possuímos pertence a Deus; que veio de sua mão e que somos apenas mordomos de tudo. Nada mais justo que e confortador que sustentar o ministério de pessoas que trabalham para a sua causa e reino; pessoas que deixaram suas profissões seculares para servir à causa do mestre.
Deus poderia muito bem sustentar diretamente cada obreiro seu (quando é preciso ele manda corvo levar pão e anjos servirem no deserto); mas deu-nos essa incumbência para provar nosso carinho e cuidado pela sua igreja. Deus não quer o nosso dinheiro. Ele quer saber se temos fé e amor por Ele. Jamais pediria o que é seu. Davi entendia isso muito bem, por isso falou:


“ Tua é, Senhor, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a magestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu é senhor o reino, e tu te exaltaste sobre todos como chefe. E riquezas e glória vêm de ti, e tu dominas sobre tudo, e na tua mão há força e poder; e na tua mão está o engrandecer e dá força a tudo. Agora pois, ó Deus, graças de damos e louvamos o nome da tua glória. Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, que tivéssemos poder para tão voluntariamente dar semelhantes coisas? Porque tudo vem de ti, e da tua mão to damos. Porque somos estranhos diante de ti e peregrinos como todos os nossos pais; como sombra são os nossos dias sobre a terra, e não há outra esperança. Senhor, Deus nosso, toda essa abundância que preparamos para te edificar uma casa ao teu santo nome vem da tua mão e é toda tua. E bem sei, Deus meu, que tu provas os corações e que da sinceridade te agradas; eu também, na sinceridade do meu coração, voluntariamente dei todas estas coisas; e agora vi com alegria que o teu povo, que se acha aqui , valountariamente te deu... conserva isso sempre no intento dos pensamentos do coração do teu povo...” (ICr.29:11-18).

Se Deus nos pede coisas que Ele não precisa, então devemos refletir o que é que Ele quer realmente de mim!