Texto base: Ef. 1, 2 e 3
Cl.1 e 2.
A existência humana sempre foi objeto e curiosidade em todas as épocas. Perguntas como: “de onde viemos?”, “O que estamos fazendo aqui?” “Para onde vamos?” Sempre cruzaram no caminho de nossa razão. Num panorama bíblico, as perguntas giram em torno de: Por que e para que fomos criados? “Por que Deus sabendo da queda não a evitou?” e porque permitiu a existência do mal? Entre outras.
A bíblia trouxe, da parte de Deus, uma revelação esclarecedora sobre a história humana. Revelando a conclusão de um plano que estivera oculto e que estava escrito antes da fundação do mundo.
Passamos por dispensações, revelações e até por uma lei escrita. Homens viram o que não podiam ver, sentiram o que não podiam suportar, deixando de Deus um mapa muito valioso. Contudo, Hebreus após contar a história dos mais eminentes desses homens revela que “Deus proveu coisas melhores a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados”.
Havia um mistério em Deus que revolucionaria a existência humana ofuscada pelo pecado. Em sua soberania sobre a história, Deus vai montando um cenário passo a passo, sendo muitas vezes incompreendido, mas tudo caminhava para onde queria. Escolhendo um homem aqui, uma nação dali, fazendo de um homem uma nação e chamando de uma nação um homem, tudo como previra antes que tudo existisse.
Para os judeus o plano estava razoavelmente claro, exceto nos pontos de interferência com os gentios, e é aqui onde estava um mistério, a peça-chave do quebra-cabeça para compreendermos o todo da humanidade.
Então, depois de estar oculto por toda a história, estamos no tempo em que o plano de Deus foi revelado e vai ser consumado? Sim, e com “coisas melhores a nosso respeito”. O que há de diferente agora é que “fomos abençoados com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em cristo” (Ef.1:3), das quais a maior é termos o Espírito Santo habitando em nós como “Selo” e “Penhor de nossa herança”.
O mistério de Deus – a igreja – que estivera oculto só ratifica que o propósito de Deus para o homem não se restringia a sua simples criação. O projeto do homem só valeu a pena ser implantado porque Deus sabia na sua infinita onisciência, que alcançaria o resultado desejado. Então não devemos pensar que a partir da queda buscou-se arranjar diversos paliativos engenhosos apenas com o fim de tornar o homem ao seu estado inicial ou corrigir um erro de projeto.
Não era tornar o homem ao seu estado inicial apenas!
Era isso e muito mais.
Um dos aspectos da salvação –a santificação- tem a finalidade de trazer ao homem a sua moral inicial marcada pela imagem e semelhança com Deus. Mas esse é apenas um dos aspectos.
Por oportuno, vale ressaltar que apesar de no estado inicial o homem ser perfeito moralmente não o era existencialmente. Sim. Haja visto sua deficiência em conhecer o “bem e o mal” , coisa que os anjos sabiam. Por isso: “um pouco menor que os anjos o fizestes e de glória e de honra o coroastes” Sl,8:4,5, mas quando se completar a nossa glória nos assentaremos no seu trono, coisa que anjos não usufruem. Não quero forjar aqui uma teologia de superioridade final dos homens, mas apenas dizer que mudamos de posição em relação ao estado inicial.
Pelo exposto, diremos que o pecado não foi tão ruim porque nos fez conhecer o “bem e o mal”, que é algo bom; e que Deus planejou a queda do homem para aperfeiçoá-lo? Não, não, e não! De posse do seu livre-arbítrio o homem escolheu a queda, preferiu se extraviar e escolheu se perder. As decisões humanas durante a história que se seguiria aliadas às intervenções divinas determinadas antes da fundação do mundo culminaria no resultado que Deus já vê: um reino de reis e sacerdotes o servindo e o louvando para toda sempre com toda gratidão e com todas as razões para nunca mais se rebelar (Ap.5:10; 21.3-7).
Opa! Cautela! Quando disse que as decisões humanas e as intervenções divinas determinam a história, isso nada tem a ver com Teísmo aberto. Eu disse intervenções determinadas antes da fundação do mundo para dar num fim que Deus já vê. Para Ele o futuro é uma realidade, e isso é soberania absoluta.
Por que, então, Deus criou um ser existencialmente imperfeito? Repito: o seu projeto não parou por ali. Então o pecado aperfeiçoou a criatura de Deus, já que lhe trouxe o conhecimento do “bem e do mal”? Alguém pode até ter concluído que Deus foi injusto ao criar o homem imperfeito existencialmente, que cairia inevitavelmente no buraco. Mas, vejamos: primeiro é que da forma como foi criado (inocente e sem conhecer “o bem e o mal”) o homem estava perfeito para a realidade em que vivia e para viver em comunhão eternamente com o criador. Ele não precisava ser aperfeiçoado. Segundo é que Deus não usou o pecado para aperfeiçoá-lo existencialmente, até mesmo porque o pecado não o aperfeiçoou. Se o fez conhecer o bem e o mal, por outro lado lhe trouxe a morte em todos os níveis. Isso não é perfeição. Por tudo dito, relembro: Toda criatura de Deus é perfeita e “tudo era muito bom” (Gn.1:31).
O homem estava perfeito para viver em comunhão
eternamente com o criador no estado inicial!
Sabedor de que sua criatura inocente escolheria um caminho para a própria destruição, não de imprevisto, mas porque já fora previsto, Deus já tinha um plano para o resgate. O homem está, agora sem inocência, plenamente consciente e numa nova dispensação, que “é um período de tempo em que o homem é provado quanto à sua obediência a uma revelação” (Dr.Scorfield).
Deus quer levar homens para o seu reino, mas quer saber se eles realmente querem, já que possuem livre-arbítrio e, agora, conhecem o “bem e mal” e no céu não há de perdê-los. É por isso que o mais importante para Deus é nossa decisão em fugir, evitar, odiar, se arrepender e “deixar todo pecado e embaraço que tão de perto nos rodeia”, haja visto não ser possível não praticá-lo nesse corpo. O que faço para não pecar ou após pecar vale mais para Deus do que o próprio pecado (isso porque Ele já pagou o preço).
Só vai chegar no céu quem aprendeu, sinceramente, a não querer maiso pecado para sua vida! O mal prova a criatura de Deus e é uma oportunidade de demonstrar sua graça.
O amor de Deus através da graça transformou o tropeço do homem em eterna salvação, e a perfeição deste plano está evidente porque nada, absolutamente nada pode impedir nossa salvação se realmente a queremos. Nem mesmo nossos pecados.
Tudo que aconteceu faz parte de um plano tão perfeito que é “para louvor e glória da sua graça” (Ef.1:6). A igreja é “para louvor da sua glória” não só agora mas por toda a eternidade(Ef.1:12).
Então a permissão da queda tem propósito superior? Sim! Deus tem como propósito “mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco, em Cristo” (Ef.2:7). Pergunta-se: Mostrar para quem? Este mistério estivera oculto “para que, agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida dos principados e potestades nos Céus” (Ef.3.10). Os anjos já louvavam a Deus pela sua sabedoria, mas não tinham noção da sua dimensão e aplicabilidade. Os homens então... a consideravam loucura (I Co1: 18-31).
Então a graça também alcançou os anjos? Sim! Humilhou o diabo pela sua escolha e honrou os anjos bons por terem permanecido fiéis.
Os anjos sempre tiveram interesse pela salvação humana (I Pe.1: 12). Embora não experimentassem o pecado, sabiam pela história de Lúcifer que não valia a pena praticá-lo. Mas pela história humana eles t~em mais um motivo de louvar e servir a Deus e permanecerem fiéis para sempre. A igreja de Deus é alegria para os anjos e eles fazem uma tremenda festa nos céus quando um pecador se arrepende (Lc.15: 7, 10)
Analisemos os dois cânticos de apocalipse 4:8-11 e depois 5: 9 e 10
No primeiro cântico os seres celestiais louvam a Deus por suas ações conhecidas como a criação e pelo que ele é: Santo, Santo, Santo....
No segundo cântico, agora um novo cântico, indicando um novo motivo uma nova visão, não era nada menos que um cântico “para louvor da sua graça”, cumprindo Ef.1.6. É um cântico pela atuação de Deus na história humana.
Que sena mais bela:
De um lado o homem. Que aqui no mundo já não tinha mais prazer no pecado. Agora, livre do corpo no qual atuava a natureza humana, ainda com seu livre-arbítrio e conhecedor do “bem e do mal”, olha para trás e ver que não há nenhum motivo ou vantagem em pecar, consciente de que é engano. Assim quer servir a Deus por toda a eternidade, louvando-o por sua graça.
Do outro lado, os anjos. Não mais louvando a Deus apenas pelo seu poder criativo, pela sua justiça e santidade; mas também por saber que Ele é tão gracioso a ponto de fazer de pecadores reis e sacerdotes do seu reino. Continuam motivados a nunca se rebelarem.
Que festa linda! Anjos e homens “explodem” de alegria e em cânticos, como dizia Judas: “ao único Deus, salvador nosso, por Jesus Cristo nosso Senhor, seja a glória, a majestade, o domínio e o poder antes de todos os séculos, agora e para sempre, amém!”.
Ah! Do outro lado? Do outro lado................................................................................................... Do outro lado o diabo, seus anjos e “todos os que se esquece de Deus”; os perdedores, os donos-de-si–próprio, os que ganharam aqui na terra a sua vida, mas perderam lá.
O homem que Deus sempre quis não é o homem do estado inicial mas o homem do arrebatamento da igreja! (Hb.11:40).